Sábado, 31 de Dezembro de 2011

A Humanidade não é uma espécie animal é uma realidade histórica

Shulamith Firestone tem sido acusada de biologismo e de essencialismo, mas esta crítica não me parece correta. Ela reconhece que a assimetria de poder entre homens e mulheres tem uma base biológica e de certo modo aparece como natural, mas defende que isso não significa que as mulheres tenham de se conformar e nada fazer porque, como de Beauvoir já tinha realçado, “a Humanidade não é uma espécie animal é uma realidade histórica. A sociedade humana é uma antifysis – em certo sentido é contra a natureza; não se submete passivamente à presença da natureza, mas antes toma o controlo da natureza para seu próprio benefício.”

Controlar a natureza tem sido um objetivo persistente dos homens. Mas, curiosamente, ou não, enquanto se libertam a eles mesmos das peias da natureza, têm tentado manter as mulheres a elas presas pois estão interessados em preservar domínio e privilégio. Também nada garante que, uma vez ultrapassada a base biológica da opressão das mulheres, esta não persista porque ”a nova tecnologia, especialmente o controlo da fertilidade, pode de novo ser usada para reforçar o entrincheirado sistema de exploração.”

Para prevenir esta eventualidade e retornando a Marx e a Engels, Firestone defende que, assim como estes preconizavam a apropriação pelos trabalhadores dos meios de produção, também as mulheres se têm de apropriar dos meios de reprodução, isto é, do controlo dos seus próprios corpos. Palavras sábias que muitas teimam em ignorar.

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