terça-feira, 18 de agosto de 2009

(2) Amor e sexo em Agostinho e Tomás de Aquino – a sexualidade sob perspectiva masculina

Para conhecer a visão que a Idade Média nos legou da sexualidade, nada melhor do que consultar os dois teólogos/filósofos medievais que gozaram de maior prestígio no mundo cristão: Agostinho e Tomás de Aquino.

“Agostinho, que foi o teólogo mais influente da Idade Média e que ainda hoje é aceite como uma autoridade maior em matéria de doutrina, ensinou que o corpo é corrompido pelo pecado original; expressou grande vergonha pela actividade sexual da sua juventude; defendeu que todo o amor deve ser o amor de Deus e que a luxúria é má. Uma pessoa sensata preferiria que a procriação fosse alcançada sem a luxúria sexual; o sexo servia apenas para a procriação, e mesmo as relações conjugais legítimas são acompanhadas de vergonha, o que, disse ele, é indiciado pela privacidade em que a relação tem lugar. (…)

Tomás de Aquino promulgou oito verdades:
(1) Em primeiro lugar ensinou, como doutrina cristã, que a descarga de sémen define a essência da relação sexual;
(2) A procriação é a única função moral correcta da relação sexual; a emissão de sémen de um modo que evite a concepção é imoral e não natural;
(3) A procriação completa-se naturalmente na geração de um ser humano;
(4) Aqueles que se envolvem no acto sexual devem prover o que for necessário para a criação do novo ser;
(5) A família é o melhor lugar para criar as crianças;
(6) (7) As mulheres são inferiores aos homens e no casamento o homem deve governar a mulher;
(8) O divórcio é impróprio.”

Deste modo, a Idade Média, através dos seus teólogos/filósofos, inspirados em muitos aspectos em Platão e Aristóteles, defende a concepção dualista da alma e do corpo com a correspondente depreciação do corpo; continua a não reconhecer qualquer ligação entre amor e sexo e define o amor em termos puramente espirituais.

A relação sexual é vista exclusivamente sob a perspectiva masculina: a essência do acto sexual é a descarga de sémen. A única finalidade da actividade sexual é a procriação. Qualquer prática anti-conceptiva ou abortiva é considerada pecaminosa. É legitimada a subordinação das mulheres aos homens, em função do seu papel inferior, nomeadamente na procriação, pois o homem seria o princípio activo.

Pode dizer-se que na Idade Média se manteve e aprofundou a visão negativa da sexualidade que, além do mais, passa a ser considerada como algo que envergonha os humanos, sendo o desejo sexual identificado com algo que é mau em si.

O que é também curioso verificar é como, volvidos tantos séculos, estas ideias sobre a sexualidade continuam a ter enorme aceitação. Ainda hoje, a igreja católica e facções evangélicas fundamentalistas diabolizam as práticas anti-concepctivas e o aborto; proíbem o divórcio, sob o pretexto de que o que Deus uniu os homens não podem separar.
Ainda hoje, mesmo nos meios onde a religião perdeu influência, muitas destas ideias continuam a condicionar as mentalidades. Um pormenor linguístico pode permitir ver a força deste fenómeno: em certos meios, quando uma mulher engravida, é frequente ouvir-se dizer: fulano fez-lhe um filho, o que não pode ser mais falso, porque um filho não é o resultado de um espermatozóide, é sim o resultado de um espermatozóide (do macho) e de um óvulo (da fêmea), mas que corresponde bem à noção errónea e sexista que o próprio Tomas de Aquino veiculou ao afirmar que na procriação só o macho é activo.

Dissociar o sexo do amor, culpabilizar o sexo e definir a sexualidade como essencialmente masculina, são os princípios básicos da concepção que a Idade Média nos legou da sexualidade.

2 comentários:

  1. sexo é algo ruim em si mesmo. agostinho e tomas de aquino estavam certos eu sou apaixonado por eles e pela belissima doutrina da perpetua castidade.a perpetua castidade é um presente de deus e como muito sabiamente escreveu o papa paulo 6 na sua enciclica:VIRGINDADE SAGRADA,a perpetua castidade é superior ao matrimonio.OBS:sou homem tenho 19 anos e sou virgem graças a deus.meu email é pedro.18a@hotmail.com

    ResponderEliminar
  2. Nunca li tanta porcaria. Percebam que não há nenhuma biografia, nenhuma citação direta dos autores. Só coisa criada da cabeça da autora mesmo.

    ResponderEliminar