quinta-feira, 2 de abril de 2009

O pecado original da religião patriarcal

Com o mito de Adão e Eva, mito fundador da civilização ocidental, o judaísmo e o cristianismo, reflexos da estrutura social da qual emanaram, contribuíram, por seu turno, para justificar, fortalecer e consolidar as estruturas de opressão das mulheres dessa mesma sociedade e esse é que é, podemos dizê-lo sem sombra de dúvida, o pecado original, não atribuível à mulher, mas à própria religião.
Em relação à mulher, a religião tudo fez para que ela interiorizasse um sentimento de culpa que só surgiu porque, na sua ânsia de explicar o mal, os homens e a religião por eles criada resolveram hipócrita e covardemente não encarar a questão de frente e preferiram procurar um bode expiatório. Por outro lado, também podemos dizer que o verdadeiro pecado original de qualquer mulher é ter interiorizado esse sentimento de culpa e não ter sido capaz de, descobrindo os mecanismos que o activaram, dele se desfazer como de uma segunda pele que decididamente não se lhe ajusta, só provoca desconforto e uma auto-imagem negativa, para além de muitas outras consequências igualmente indesejáveis.

7 comentários:

  1. Em sexo é melhor praticar

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  2. realmente é um pecado e tanto.

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  3. A histórias dessas religiões é profícua em rebaixar as mulheres colocando-as "no seu lugar". Quer os doutores da igreja católica, quer a própria bíblia são bastante explícitos quanto a isso. Hoje em dia usam máscaras para dissimular o seu machismo, o discurso foi suavizado à força das lutas de emancipação e do receio de espantar as crentes, mas não posso deixar de pensar que surgindo a oportunidade, o pecado original volta a deixar de ser uma metáfora para voltar a ser lei divina.

    cumps

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  4. Quero crer que sou mais optimista. No mundo ocidental parece-me difícil um retrocesso tão tenebroso como o que augura, mas em outras partes do mundo e em outros caldos culturais, a coisa continua preta.

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  5. Não conheço na história bíblica de Adão e Eva,nada que possa atribuir à mulher o papel de agente único responsável pelo o pecado original.
    Antes pelo contário, a responsabilidade pelo acto de desobediência a uma ordem Divina, segundo o texto bíblico, foi pedida ao homem, Adão, e não à mulher.
    Penso que ler as Escrituras, como que de uma história da carochinha se tratasse, é que pode justificar, interpretações tão superficiais... Isabel

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  6. Isabel
    Obrigada pelo seu comentário, mas se calhar a Isabel é capaz de estar mal informada pois sobre este tema nem sequer se conhece dissonância de interpretação e vários doutores da igreja nele se basearam para diabolizar a mulher. Lá que é uma história da carochinha isso é verdade, mas não foi contada por mim.
    Deixo-a com uma tirada de Tertuliano, que a este título é bem edificante: «Tu és a porta de entrada do diabo...Quão facilmente conseguiste destruir o homem! Por causa da morte a que nos condenaste, até o filho de Deus teve de morrer.»
    E com algum vagar será possível encontrar inúmeras citações de este ou semelhante jaez.

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  7. Vamos lá pôr os pontos nos is: o mito da Queda tem um significado nitidamente misógino e não o querer ver é pretender tapar o sol com uma peneira.
    Essa história foi escrita por homens de carne e osso, que viviam numa sociedade patriarcal e que não podiam deixar de reflectir os valores, atitudes e interesses dominantes dessa sociedade. Até aqui tudo bem, ou no mínimo, mais ou menos. O trágico foi que esses homens pretenderam, provavelmente cheios de convicção, que estavam a escrever em nome de Deus, e desse modo, conferiram uma dimensão cósmica a uma narrativa perfeitamente localizada no espaço e no tempo. E, o que é mais grave, comprometeram a divindade num assunto bastante obscuro. Os efeitos foram preversos.
    Leandro

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