quarta-feira, 1 de abril de 2009

A família patriarcal e a tradição judaico-cristã

Todos nós já ouvimos ou já utilizamos a expressão «cara metade» com a qual cada um dos cônjuges se refere ao outro querendo com ela significar a complementaridade que os dois realizam e a necessidade que cada um tem do outro para se sentir completo e portanto feliz. Essa complementaridade deveria ser entendida numa relação de igualdade e de simetria já que se trata de «metades», mas não foi exactamente isso que se verificou ou que em muitas circunstâncias se verifica.

Para explicar a união entre os sexos, os seres humanos, sempre curiosos das origens das coisas, inventaram mitos; para o casamento conhecemos dois: a história bíblica de Adão e Eva e o mito dos andróginos que nos chegou através de Platão e de um dos seus diálogos. Infelizmente, para as mulheres e porque não dizer também para a humanidade, o mito que prevaleceu foi o de Adão e Eva. Passo a explicar porquê.

Segundo a Bíblia, Deus criou o homem e deu-lhe a faculdade de falar e de enumerar as coisas à sua volta, mas o monólogo, sempre cansativo, com o tempo acaba por tornar-se desinteressante e tendo Deus constatado o isolamento e a tristeza de Adão resolveu dar-lhe uma companheira que, com grande economia de recursos, decidiu criar a partir da costela de Adão. O resto da história também é conhecida: vivendo no paraíso e inteligente como Deus queria, Eva, curiosa, instigada pela serpente, resolveu incitar Adão a comer a maçã da árvore do conhecimento, a única que Deus proibira,- proibição que não deixa de ser curiosa, mas que para já não vem ao caso.

Se bem repararmos, esta história tem três actos qual deles mais desprestigiante para a mulher; mas tal não deve suscitar grande admiração, afinal ela foi contada por homens.

Num primeiro acto Deus cria o Homem - este aparece como o primeiro e o essencial, o objecto do acto divino; num segundo, de uma parte do homem, cria a mulher – um acessório para colmatar uma necessidade do macho; finalmente, estabelece que a culpa do pecado original, isto é, das coisas correrem mal, é da mulher, a qual a título de expiação, é condenada a parir os filhos com dor e daí e para todo o sempre a servir o homem, autor de uma falha aparentemente menor: a de não ter conseguido resistir à tentação que Eva lhe apresentou.
Temos de convir que esta «edificante» narrativa é muito conveniente a uma sociedade patriarcal à qual fornece o enquadramento moral e religioso bem como a respectiva justificação: a supremacia masculina está a partir daí explicada, é tão antiga como a própria humanidade e o que é muito mais importante: tem o beneplácito divino. Com o correr dos tempos, a história não só se consolidou como ainda foi ganhando contornos mais tenebrosos e alguns doutores da Igreja chegaram mesmo a identificar Eva com a serpente, personificando assim o próprio mal e responsabilizando-a por todos os desastres sofridos pela humanidade; foi o que aconteceu com Santo Agostinho que escreve sobre a mulher estes mimos: «Um animal que não é firme nem estável, odioso, que alimenta a maldade… ela é fonte de todas as discussões, querelas e injustiças.»[1]
Deste modo a tradição religiosa e moral judaico-cristã é grande responsável pela misoginia de que as mulheres têm sido vítimas e quem quiser sustentar o contrário vai com certeza ter de praticar quaisquer malabarismos intelectuais que só convencerão quem à partida já está convencido e pretende a qualquer custo manter as suas opiniões.

[1] Citado por Elizabeth Badinter, in «Um Amor Conquistado»

3 comentários:

  1. Texto idiota, estúpido, etc.
    É pura propaganda Marxista Cultural.
    Vá estudar mais, pare de ler livros vermelhos. É Puro Gramscismo.

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    1. tinha que ser olavete, admira um cara que possui 4ª série imcompleta.

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  2. E o que será que ocorreu no mundo animal?
    Pois o macho SEMPRE é mais forte e claramente o "chefe", é o garanhao, a exemplo do touro entre outros.
    Ah, vai ver eles também leem a bíblia.

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